sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Votando sem sair do carro

Minhas observações do sistema eleitoral americano me fazem concluir que este é um setor em que os americanos podiam aprender um pouquinho com os brasileiros. Sem discutir o sistema como um todo, porque eu ia precisar explicar primeiro o americano e depois compará-lo ao brasileiro e esse post ia ficar enorme e chato (aliás esse tipo de informação é facilmente encontrada na internet em fonte seguras), vou me ater a algumas decisões práticas que podiam ser tomadas aqui, prá facilitar a presença dos eleitores nas votações - lembrem, nos EUA não é obrigação do cidadão o ato de votar.


Eu começaria com o dia escolhido. No Brasil, sempre cai num fim de semana. Aqui não. Exatamente o contrário, é sempre num dia de semana. Não é preciso explicar a dificuldade que isso acarreta para muitos, não é?

Outra coisa é a insistência na utilização do papel. Além de extremamente anti-ecológico, num país que vem lutando prá ser verde, ajuda na demora da votação, criando mais filas, dúvidas e etc. Alguns estados testaram votações eletrônicas mas eles ainda não estão satisfeitos com a segurança das máquinas. No país da criação do computador pessoal, eu imaginava que eles já podiam estar avançados nessa tecnologia, não?

Mas, com essas e outras contradições de um primeiro mundo, eis que esse ano há algo novo no ar. Votar, eletronicamente, sem sair do carro, em drive-throughs, daqueles tipo os de lojas onde se compra café ou sanduíche. Não é fantástico? E como aqui é permitido votar com antecedência - outro ponto positivo do sistema - muita gente já está fez da iguaria.

A experiência do voto sem sair do carro ainda foi por apenas um dia, no Condado de Orange, aqui na Califórnia. Mas parece que foi satisfatório! Já existe em um outro condado da Califórnia um local onde você pode levar o seu voto, caso você tenha recebido o papel pelo correio.Mas agora há a possibilidade de você sair de casa, ir ao local de votação, entrar na pista onde está a cabine e votar! Para os aficcionados por carro como os californianos, nada mais cômodo!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Resultado das eleições 2008 no Brasil

Essa é prá quem está fora do país ou até mesmo para aqueles curiosos que querem saber quem ganhou as eleições numa cidade que não aparece muito em jornais nacionais ou em sites de notícias.

No site do TSE há um link para a divulgação desses resultados. Siga as instruções de instalação do programa que eles têm e você pode encontrar todos os resultados dessas eleições de 2008 em qualquer cidade brasileira que queira!

Leite ainda é um ótimo investimento

Em tempos de loucura econômica, é sempre bom ter idéias criativas no supermercado, não? Já disse aqui que desde que me mudei para os EUA de vez, um dos campos no qual vivo me informando é o campo financeiro. Não falo somente no funcionamento de Wall Street -principalmente nos últimos dias - , mas em sobre o quê as pessoas que moram legalmente nesse país devem saber para participar tanto das vantagens de se viver num país de primeiro mundo, como das responsabilidades que vêm com toda essa viagem.


Pois bem, uma das pessoas que me ajudaram muito foi uma consultora financeira chamada Suze Orman. Eu nunca encontrei essa senhora, mas caso isso aconteça um dia, eu tenho muito a agradecer. Difícil sintetizar o trabalho dela mas entre livros, programas de televisão, palestras e site, Suze Orman coloca em palavras fáceis, instruções onde escolas têm se ausentado. Tanto aqui, como no Brasil, eu acho. Afinal, as crianças aprendem fórmulas químicas impossíveis de serem detectadas no mundo real - amo química, nada contra - mas saem do colégio sem ter a menor noção de como ler um extrato bancário! É mais ou menos por aí que Suze aparece. Ela tem uma missão, ensinar todo cidadão a cuidar do seu dinheiro!

E, no fim de semana, ela aparece nesse anúncio, de uma campanha muito conhecida por aqui, que estimula o consumo de leite no país. Nenhuma surpres, afinal como muitas outras celebridades, Suze é pessoa de influência no país. Mas, a diferença foi no recado. Na foto, como não podia deixar de ser, ela chama atenção para uma outra razão de se consumir leite. Eis o cartaz da campanha com o texto a seguir:

“Milk your budget. Investing in your health always pays off. That’s why I drink lowfat milk. Even at today’s prices, an 8-ounce glass of milk only costs about a quarter, which is a great value when you consider that milk is one of the most nutrient-rich items in your grocery cart. So drink up. You can’t afford not to.”

Na minha livre tradução, ela diz mais ou menos isso: “Explore o seu orçamento. Investir na sua saúde sempre vale a pena. É por isso que eu bebo leite desnatado. Até mesmo com os preços de hoje, um copo de leite custa cerca de 25 centavos, o que é um ótimo valor considerando-se que leite é um dos mais ricos nutrientes no seu carrinho de compras. Então, beba à vontade! Você não pode se arriscar a não beber.”

Boa dica? Você também tem uma? Mande prá mim!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EUA em crise - e eu com isso?

Desculpem a ausência dos últimos dois dias, mas tenho passado o dia inteiro antenada ao que acontece em Wall Street. E, como muitos por aqui, perplexa fiquei ao final do dia de segunda-feira, quando o Congresso americano vetou o pacote de ajuda financeira proposto pelo governo.

A consequência para os EUA foi visível e mais está para vir. Alguma solução vai ter que ser apresentada, porque o país não vai segurar uma crise dessas por muito tempo. Então, depois que os políticos - que, na sua maioria, são iguaizinhos em qualquer lugar do mundo, isto é, egoístas, egocêntricos e atraídos por câmeras de televisão - que votaram contra a proposta, perceberam a porcaria que fizeram, já enfiaram os rabinhos entre as pernas e estão prontos a votar a mesma proposta - com alguma modificaçãozinha - no fim do dia de hoje.

Mas, o estrago está aí. E muita gente do que aqui eles chamam de “Main Street”, ou seja, o povão, fica se perguntado: “se tudo continua na mesma, então por que é que eu tenho que me preocupar com o que acontece com Wall Street?”.

Já disse aqui que não sou especialista em economia mas, como toda boa jornalista, sou especialista em generalidades, então vou tentar explicar porque você, quer esteja nos EUA ou no Brasil deve SIM se preocupar, se informar e agir caso precise, nesse momento. E porque esse pacote é tão importante para o país e para o mundo.

O que está acontecendo aqui, de forma geral, é um aperto no crédito. Que, como uma bola de neve, vai acabar afetando todo mundo. Vou usar o exemplo que foi dado na segunda-feira, no jornal televisivo daqui, cujo video está nesse link, prá quem quiser assistir.

O que ocorre numa economia funcionando da forma que deve é mais ou menos isso:
Digamos que um certo banco tem 100 dólares guardados. Numa economia sadia, os bancos emprestam esses 100 dólares, digamos, para um agricultor que, agora com esse dinheiro, vai poder comprar sementes das pessoas que as vendem, e um trator das pessoas que vendem tratores, agrotóxicos das lojas que vendem agrotóxicos, e por aí vai.

Essas pessoas que venderam para o agricultor geralmente vão pegar esses 100 dólares e comprar outras coisas e também vão colocar um pouco do dinheiro no banco que, com mais dinheiro, vai poder emprestar para um dono de restaurante, por exemplo. O dono do restaurante vai usar esse dinheiro prá comprar carne do açougueiro, e pão do padeiro, e mesas do carpinteiro…

Da mesma forma, essas pessoas vão usar parte do dinheiro que receberam do dono do restaurante prá comprar coisas e um pouco prá colocar numa poupança num banco, que de novo vai ter dinheiro prá emprestar prá outras pessoas.

Ou seja, em bons tempos, de economia saudável, aqueles 100 dólares vão pulando de mão em mão e toda vez que esse dinheiro pula, mais pessoas têm mais trabalho.

Mas, aí, com a crise dos empréstimos - que aconteceu porque as pessoas começaram a não pagar os empréstimos que fizeram por infinitas razões- , os banqueiros começaram a ficar nervosos porque o risco de emprestar dinheiro estava só aumentando. Eles começaram a se questionar se iam ser pagos pelos empréstimos que deram!

Então, eles começaram a diminuir os empréstimos, diminuindo a velocidade com que aqueles 100 dólares estavam pulando de mão em mão. A consequência é imediata no número de pessoas desempregadas, que aumenta, e até mesmo no tempo que essas pessoas ficam desempregadas, que também aumenta. E com mais pessoas desempregadas, menos dinheiro circula, porque menos pessoas podem comprar do agricultor, menos pessoas podem ir ao restaurante, e etc.

E aí, o pula-pula dos 100 dólares diminui ainda mais até que os bancos podem simplesmente parar de emprestar dinheiro por completo, o que seria um desastre global! É só você imaginar esse dólar numa escala mundial, de importações e exportações - afinal os EUA são sozinhos os maiores consumidores do mundo - que você vai entender como isso pode afetar você aí no Brasil!

Então, o que o pacote proposto pelo governo estava tentando fazer era comprar aqueles empréstimos ruins que os bancos tinham, prá colocar dinheiro nas mãos dos bancos de forma que eles voltassem a emprestar dinheiro de novo, como faziam.

Toda a discussão era de quanto pagar por esses empréstimos de forma que os bancos tenham o suficiente para voltar a funcionar normalmente mas ao mesmo tempo não muito, de forma que os contribuintes não acabem por ser responsáveis por pagar por aqueles que provocaram essa confusão toda.

Essa é uma explicação bem simplista mas nem por isso imprecisa. Acho que deu prá esclarecer um pouco a importância de estar informado a respeito do que acontece por aqui, não?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

EUA já não são os maiores emissores de carbono do mundo

Países em desenvolvimento são responsáveis atualmente por mais da metade das emissões de carbono do mundo, de acordo com um estudo do consórcio Global Carbon Project (GCP). O relatório revela que o maior aumento das emissões veio de países como China e Índia.

Até 2005 os países ricos eram os responsáveis pela maior parte das emissões de CO2 produzidas pelo homem. Hoje em dia, segundo os cientistas, os países em desenvolvimento respondem por 53% desse total. A China por exemplo passou os Estados Unidos, se tornando o maior emissor mundial de carbono. A Índia poderá se tornar o quarto maior emissor, ao passar a frente da Rússia, afirma o relatório do GCP.

Na contabilidade do estudo, em 2007 foram 10 milhões toneladas de emissão de carbono. Só a queima de combustíveis fósseis foi responsável por 8,5 bilhões de toneladas. O resto foi proveniente principalmente do desmatamento. A devastação das florestas tropicais provocou emissões de 1,5 bilhão de toneladas de carbono em 2007. América Latina e Ásia emitiram 600 milhões toneladas enquanto a África repondeu por 300 milhões.

O estudo, que será apresentado hoje em conferências simultâneas em Paris e em Washington, ainda concluiu que o índice anual de emissões aumentou desde o início do milênio.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quiz: do que realmente deveríamos ter medo?

Nesse post, vou colocar algumas questões que retirei da revista Wired de Julho desse ano, que de certa forma ratifica o que falei no último post. As respostas estão no final. Divirtam-se!

Depois adorararia saber como foi o desempenho de vocês e se vocês acham que algumas informações erradas possam estar moldando sua percepção dos reais medos da nossa sociedade.

1-Qual é a porcentagem de casos de câncer causados por poluidores, sejam eles provocados pelo homem ou decorrido da natureza?
a- 2% b-33% c-62% d-835%

2- Proporção de mortes causadas pela doença da vaca louca na Inglaterra, com relação ao número de matérias veiculas na BBC News sobre a doença:
a-20:1 b-10:1 c-3:1 d-1:1

3- Proporção de mortes relacionadas ao consumo de tabaco e o número de matérias que a BBC News veiculou sobre mortes relacionadas ao consumo de tabaco:
a-2:1 b-1:1 c-1:2 d-8571:1

4-Quantas pessoas morreram devido ao surto do vírus Ebola no início dos anos 90, no estado da Virgínia, nos EUA, e no surto de 1995, no Congo, respectivamente?
a-3 e 7035 b-0 e 255 c-1 e 824 d-12 e 11700

5- Idade em que o câncer de mama é mais provável de acontecer:
a- 40 b-50 c-60 d-80 ou mais

6- Um estudante americano tem 75 vezes mais chance de morrer:
a- no campus de uma universidade b- fora do campus de uma universidade

7- Número aproximado de mortes na guerra civil do Congo de 1998:
a- 2,9 milhões b-900 mil c-100 d-255
___________________________________________________________________
RESPOSTAS: 1-A 2-C 3-C 4-D 5-D, depois C, aí vem B e por último A (geralmente as pessoas acham que a resposta é uma das idades mais jovens, porque são esses os casos que a gente ouve falar mais) 6-B 7-A

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O medo que atrasou uma sociedade

Que os Estados Unidos estão enfrentando uma baita crise econômico-financeira, não é mais segredo. Analistas por todo lado tentam resumir as razões que levaram o país - que ainda têm, segundo estatísticas de 2007, o maior PIb (Produto Interno Bruto) do mundo- ao momento atual.
As guerras que o país têm mantido sem dúvida alguma estão no topo da lista, afinal, o custo total dessas invasões deve chegar a 3 trilhões de dólares, como falei aqui!

Mas, o tema de hoje não é a guerra em si, nem as tantas outras óbvias razões para esse desaquecimento da economia americana. E sim, um fator que não tem sido levado em conta - pelo menos eu não tenho visto muitos comentários a respeito - que é o MEDO como instinto paralisante, durante esses anos.

Tudo bem, sei que o medo não é um instinto paralisante e sim de defesa, etc, etc, que é utilizado por qualquer espécie animal como um mecanismo de auto-preservação, blá, blá, blá. Mas, o medo sem real motivo tem feito americanos reagirem de forma inconsequente, até.

Um exemplo? Na semana após o 11 de setembro, o número de passageiros em aviões - considerado o mais seguro meio de transporte que existe, segundo as estatísticas - diminuiu drasticamente. É verdade! As pessoas passaram a usar mais as estradas. Conclusão: a morte por acidentes de tráfego durante o ano seguinte aumentaram uma percentagem assustadora!

No livro “The science of fear” (”A ciência do medo”) de Dan Gardner, o autor adverte o público para não acreditar muito no que vemos na televisão, no consenso popular e até mesmo no nosso instinto, o tempo todo. Segundo o autor, o nosso mecanismo subconsciente de auto-preservação pode estar amplificando as imagens, histórias e estatísticas que vemos na tevê. O resultado é que exageramos o perigo real de ameaças não tão reais assim como vírus Ebola, ataques terroristas, acidentes de avião, ataques de tubarões e subrestimamos ameaças muito mais prováveis de acontecer, como acidentes de carro, por exemplo.

O medo de ameaças vindas de fora é histórico na sociedade americana. Na era comunista, crianças eram ensinadas a como reagirem em caso de ataques de bombas. Até mesmo no jardim de infânica todo mundo sabia o que fazer! Um dos rumores, que chega a ser engraçado, mas que era de conhecimento geral, era de que, caso os chineses resolvessem atacar os EUA, seria um massacre total, porque os americanos ficariam sem munição antes que todos os soldados chineses morressem, tão grande era o número de soldados, de acordo com o número da população!

Eu sei que na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, há alguns anos que o medo da violência tem tido efeitos práticos na economia da cidade. Conversando com taxistas quando morava lá, todos eram unânimes em afirmar que o número de pessoas pela cidade à noite tinha diminuído drasticamente. Até restaurantes, conhecidos por ficarem abertos até altas horas da noite, andavam fechando bem mais cedo, porque não valia a pena ficar aberto até tarde.

O americano é um povo acostumado a viver sob o medo, mas parece que o ataque em própria terra assustou um pouco mais profundamente. Uma pena.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Encontro com a honestidade


Ser honesto, no Brasil, é quase sinônimo com ser bobo. No país onde levar vantagem é a regra geral, raros são os momentos em que é possível reconhecer uma atitude honesta, quer seja de posição sobre um assunto ou em situações cotidianas mesmo, como devolver a caneta que pediu emprestado ao colega ao lado, na sala de aula.

Pelo menos essa é a impressão que tenho da sociedade brasileira, apesar de ter sido educada na base de “honestidade acima de tudo”. E tenho certeza que muitos brasileiros o foram, mas num texto como este temos que falar em generalidades, não é?

Pois, levei um susto por aqui, dias atrás, quando na esquina da minha casa encontrei o anúncio que está na foto desse post. Não acreditei no que estava vendo, juro! Fiquei toda desconfiada, achei que devia ser alguma brincadeira.

Já havia encontrado inúmeros anúncios deste com fotos de animais que foram encontrados e até aí, nada estranho, afinal geralmente as pessoas não querem o animalzinho alheio, já criado, né?

Mas, um IPOD????!!!

E então, aconteceu comigo! No fim de semana, ao sair de uma peça de teatro, tendo que enfrentar quase uma hora de direção prá voltar prá casa, eu e meu marido decidimos parar para comer alguma coisa, em San Diego. Como estava com sono - já era quase meia-noite, horário incomum para meu corpinho estar de pé - assim que acabamos de comer, voltamos para o carro, onde eu pensava em tirar uma longa soneca.

Ao chegar em casa, a surpresa: “Esqueci minha bolsa no banheiro do restaurante!” (na verdade, não tenho certeza donde a esqueci, se no banheiro ou na cadeira!). Desespero total e absoluto, mais pelo meu celular - que pode ser usado para ligar para qualquer lugar do mundo-, e por nossa câmera fotográfica, que tinha fotos queridas que eu ainda não havia transferido.

E eis que, na manhã seguinte, meu vizinho me liga dizendo que uma pessoa tinha acabado de telefonar prá casa dele avisando que achou minha bolsa! Com tudo o que eu perdi dentro!!! Encontraram o número do meu vizinho no meu celular porque eu coloquei o nome dele seguido de “vizinho”. Que sorte!

Contactamos o rapaz, que se prontificou a enviar no dia seguinte minha bolsa pelo correio. E hoje ela está aqui, com tudo o que eu tinha dentro, como a deixei!

Talvez esse seja o resultado de ter agido honestamente na minha vida em momentos em que o mais fácil seria o oposto (acredito no equilíbrio do universo, “o que vai prá lá, vem prá cá”, "colhemos o que plantamos", entende?). Não que eu seja honesta 100% afinal, já comprei meus CDs piratas - apesar de ter um bom argumento para esse fato, em particular.

Talvez seja algo comum por aqui, não importa. Em momentos como esse, é possível se confiar um pouco mais na criatura humana…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

É melhor silenciarem Sarah Palin...


A primeira longa entrevista com a candidata à vice-presidência na chapa dos Republicanos foi ao ar ontem, no canal 7, ABC News. O jornalista, Charles Gibson, apertou a ex-modelo e atual governadora do Alasca. E ela não tinha nada prá dar em troca, porque não entende muito de relações internacionais, coitada.

Ao ser indagada se ela concordava com a já intitulada ”Doutrina Bush” (que, segundo o que deu prá entender, reflete o pensamento do atual presidente americano de que é permitido invadir um país antes de ser atacado, caso considere necessário para a segurança do país contra terroristas, é a chamada "guerra preventiva"), ela se enrolou toda e foi questionada novamente, no que acabou concordando. Nada bom para McCain, que quer se distanciar dessa liderança de Bush, que é um dos principais pontos negativos que a comunidade internacional é tão contra.

E o pior de tudo foi que ela disse que, quando foi convidada prá ser a candidata com McCain, ela sequer piscou, respondeu na hora que sim, não pensou nem um pouco se era capaz ou adequada para o cargo ou não!

Hoje à noite tem mais da entrevista. Acho que os Republicanos deveriam treinar mais a moça, ou fechar a boca de Palin antes que ela estrague tudo que construiu em uma semana!

Clique na foto para vê-la em seu somínio e para ler parte da entrevista no site da ABC News.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

As mulheres na decisão!

A semana já começa pegando fogo por aqui politicamente, depois que resultados de algumas pesquisas avaliaram o estrago que a governadora Sarah Palin trouxe para o partido Democrata.

Numa indicação de que a escolha de uma mulher como candidata a vice pode ter sido uma boa jogada para John McCain , o candidato republicano à Presidência dos EUA abriu uma larga vantagem entre as eleitoras brancas, segundo pesquisa divulgada hoje pelo jornal “Washington Post” e a rede de televisão ABC. O resultado aponta para um grande avanço do senador após a Convenção do Partido, que aconteceu na semana passada. O jornal afirma que muitos de seus novos votos vêm de mulheres que aprovaram a indicação de Sarah Palin para vice de McCain.

Agora, se o candidato à presidente é o mesmo, como se explica essa mudança de escolha por mulheres? Eu não posso aceitar que seja simplesmente por causa do gênero. Definitivamente, está certa a afirmação de que cada povo tem o governo que merece!

McCain aparece, agora, um pouco atrás do adversário, com 46%, enquanto Obama teria 47% das intenções de voto. A margem de erro de três pontos para mais ou menos leva os dois a um empate técnico. O democrata perdeu, etretanto, a larga vantagem de 12 pontos percentuais que tinha entre as mulheres brancas antes das convenções dos partidos, passando a estar oito pontos atrás de McCain. Agora, o republicano conta com a preferência de 53% destas eleitoras, enquanto o democrata seria o candidato de 41% delas, segundo a pesquisa.

Obama foi criticado por parte de seus eleitores por não ter escolhido a ex-primeira-dama Hillary Clinton para sua chapa. A senadora com quem ele disputou as primárias eleitorais tinha apoio de boa parte do eleitorado feminino e recebeu milhões de votos nas prévias. Agora, o democrata terá que se esforçar para garantir os votos de Hillary, que já declarou seu apoio a ele.

Vai ser muito engraçado, por causa da contraditoriedade dos fatos, se McCain ganhar as eleições devido a sua escolha de vice-presidente na chapa com ele ter sido uma mulher. O partido democrata tinha medo de Clinton, porque eles achavam que o país não estava preparado para uma mulher na presidência. E, agora, uma mulher, na vice-presidência, pode acabar decidindo essa eleição! E justamente por causa das eleitoras do gênero feminino! Pelo menos o gênero está sendo capaz de mostrar que pode tudo, mesmo! Hahaha!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ontem foi a vez da senadora Hillary Rodham Clinton falar na convenção democrata. Depois de perder a disputa pela candidatura à Presidência dos Estados Unidos e também a candidatura a vice-presidente - o que muitos analistas por aqui afirmam ter sido o grande erro de Obama - ela surpreendeu muita gente.

O discurso de Clinton foi forte, por horas emocionado, patriota - é lógico - e até engraçado. Alguns jornalistas disseram que grande parte foi escrito por ela mesma, com correções feitas pelo marido, Bill Clinton, considerado pelos americanos como um dos maiores oradores do país.

Ela já começou assim: ”Sou uma mãe orgulhosa, uma democrata orgulhosa, uma orgulhosa senadora por Nova Iorque, uma americana orgulhosa e uma partidária orgulhosa de Barack Obama”.

E então ela desatou a falar de como é necessário tirar os republicanos da presidência, tentando convencer os eleitores que a queriam como candidata do partido, a votarem em Obama, candidatura que vai se oficializar na quinta-feira. Os cerca de 18 milhões de eleitores que votaram em Hillary não estão nem um pouco feliz com a escolha e, apesar de muitos jurarem não votar em McCain, o candidato republicano, muitos estão pensando em simplesmente não comparecerem às urnas!

Um dos pontos mais comentados foi quando ela defendeu a causa democrata acima da questão pessoal:

” É hora de tomar o país que amamos de volta”, convocou Hillary. “Se você votou por mim ou votou por Obama, é hora de nos unirmos com um único propósito. Estamos no mesmo time e não podemos ficar sentados na lateral do campo. Se você trabalhou nos últimos oito meses ou suportou os últimos oito anos, sabe do que estou falando”.

“Vocês participaram desta campanha só por minha causa? Ou vocês participaram por aquela mãe que sofre de câncer e ainda cuida dos filhos ou por aquele jovem fuzileiro?”, questionou a senadora.

Para terminar, Hillary lembrou que ontem 26 de agosto é o dia em que, há 88 anos, as mulheres conquistaram o direito de voto nos EUA. Citando a luta das mulheres, pediu para os americanos continuarem avançando, continuarem lutando pela liberdade e disse que o próximo passo é eleger Barack Obama para que o Partido Democrata retome o controle do governo dos EUA.

Ela era a minha candidata, agora é esperar prá ver se Obama consegue vencer McCain, e caso vença, se consegue fazer tudo o que prometeu. Agora, se ele não vencer, as próximas eleições já têm dona!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Michelle Obama prá presidente dos EUA!!!

Depois de assistir ao primeiro dia da convenção do partido democrata, me convenci ainda mais do poder que têm os comunicadores. Seja quem for que tenha escrito o discurso da esposa do senador Barack Obama, merece todos os aplausos, recebidos pela candidata à primeira dama.

É claro que a história de vida da senhora Obama conta. De família operária, Michelle Obama teve a oportunidade que os pais não tiveram: fez uma faculdade, de Direito. Foi trabalhar num escritório de advocacia, onde conheceu o futuro marido, mas lá não ficou. Saiu para trabalhar no serviço público, ganhando muito menos, ajudando jovens a construir um futuro melhor, em Chicago.

No discurso, ela se descreveu como “irmã e mulher”, e como “uma mãe cujas filhas são a primeira coisa em que penso ao acordar e a última ao dormir. O futuro das minhas filhas e de todas as crianças dos Estados Unidos é meu sonho”.

“Meu pai era um operário e minha mãe ficava em casa conosco. Com integridade e compaixão, lutavam para que os filhos tivesse uma vida melhor do que a deles”, prosseguiu Michelle. “Tivemos amor, carinho, proteção, a sensação de que tínhamos um lugar neste mundo”.

A vida do marido é a prova, para Michelle, de que “o sonho americano resiste. Ele nasceu no Havaí, mas ambos fomos criados sob os mesmos valores: trabalhe muito, estude muito e respeite as outras pessoas mesmo quando você não sabe quem são ou discorda de suas idéias”. (Acho que ela ganhou meu voto aí!)

Obama é um visionário mas é realista, garantiu a esposa: “Ele sempre fala no mundo como é no mundo como a gente gostaria que fosse, mais justo. Não é este exatamente o grande sonho americano? Moldar o futuro de acordo com suas idéias?”.

Em defesa do marido, ela afirmou que Barack Obama conhece os problemas de emprego, saúde pública e previdência social que atormentam os americanos mais pobres, “ele vai acabar com a guerra no Iraque responsavelmente” e “ter a certeza de que toda criança deste país tenha uma educação de classe internacional”.

“Ele conhece o fio que nos une, apesar da nossa diversidade. Esse fio é suficientemente forte para nos unir e trazer esperança”, proclamou Michelle. “Vamos ouvir nossa esperança, em vez do medo. Vamos parar de duvidar e voltar a sonhar. Vamos eleger Barack Obama o próximo presidente dos EUA!” A esperança versus o medo, acho que nós já ouvimos essa dupla antes, não? Será que aqui a escolha “esperança” vai dar um diferente resultado? Veremos!

Depois de um breve mas emocionado discurso de Ted Kennedy - muitos choraram - , que se mostrou impressionantemente ativo - apesar de especialistas dizerem que ele tem cerca de seis meses de vida apenas, por causa de seu câncer de cérebro-, a grande estrela da primeira noite da Convenção Nacional do Partido Democrata foi Michelle Obama, que teve sucesso, a meu ver, em enfatizar os valores da família, numa tentativa de aproximar o senador Barack Obama do cidadão comum americano, como queria o partido.

Hoje tem Hillary Clinton!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Na última sexta-feira, o senador Barack Obama - candidato democrata à Presidência dos EUA a ser oficializado essa semana - enviou mensagens pelo celular de todos aqueles que haviam se cadastrado, com o nome do candidato à vice-presidente na chapa dele. Joe Biden foi o escolhido. Somente no sábado a escolha foi oficializada, mas as mensagens iniciaram a discussão ainda na sexta à noite.

Achei a estratégia avançada, arriscada e inteligente, afinal Obama tem atraído eleitores jovens, que obviamente estão grudados nos celulares enviando e rebendo mensagens todo o tempo. Ser um dos primeiros a ter uma notícia dessas pode ser um ponto a mais nas conversas com os amigos.

Hoje começa a conveção democrata. Como ainda estou aprendendo todo esse processo americano morando aqui, vou acompanhar tudo o que posso e contar todas as perspectivas daqui prá vocês!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Terremoto deixa californianos insatisfeitos com serviços de celulares

Hoje o dia foi reservado para acompanhar as últimas notícias sobre o terremoto que atingiu o leste da cidade de Los Angeles, às 11:42 da manhã, horário daqui. O tremor foi de 5,4 na escala Richter e assustou uma comunidade que espera por uma grande tragédia, que já tem até nome, o Big One, como contei aqui.

O terremoto teve seu epicentro registrado a 12 quilômetros de profundidade, a cerca de 3,2 quilômetros ao sudoeste de Chino Hills e a 8 quilômetros a sudeste de Diamond Bar, a mais ou menos uma hora de onde moro. De acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), o tremor é considerado moderado e pode causar pequenos danos em edifícios e outras estruturas.

E foi o que ocorreu. Nenhum dano grave além de alguns canos explodindo, muros de tijolos caindo e celulares sem serviço. De todas as notícias, aúltima pareceu a mais trágica prá todo mundo. No centro da cidade de Los Angeles, logo após o tremor, a maioria das pessoas estava de volta ao trabalho, mas a reclamação era a mesma: o celular não funciona, como pode isso acontecer numa hora dessas???!!!

Dez tremores secundários ocorreram nos 12 minutos seguintes ao terremoto, sendo que três deles foram de 3,8 graus na escala Richter.

Eu não senti nada. Estava na academia, numa aula pesada, no horário que aconteceu o tremor. Quem sabe na próxima?