quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Presidente Obama


Não acho que eu possa ter a pretensão de ter algo muito novo prá falar sobre a posse do novo presidente americano, que aconteceu ontem.

A única parte do discurso do Sr. Obama que vou salientar, é uma que vai ao encontro da cultura brasileira, porque faz parte de uma música muito conhecida de meu patrícios. Adorei quando ele disse:

“Começando hoje nós devemos ‘levantar, sacudir a poeira’ e iniciar de novo o trabalho de refazer os EUA.”

Já, num plano mais pessoal, vocês vão notar algumas mudanças no blog - até uma pequena correção no nome do próprio - uma vez que o foco já tem se expandido para questões nacionais e meu interesse acerca da história desse país vai ser expresso com mais frequência.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Suprema corte derruba argumento da tecnicalidade

A Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que evidências obtidas por meio de buscas ilegais conduzidas pela polícia nem sempre devem ser rejeitadas pelos tribunais. Por 5 a 4, os ministros do Supremo Tribunal Federal americano rejeitaram as chamadas “tecnicalidades”, seguidamente invocadas pelos advogados para obter a anulação de processos.

No caso específico, um homem foi preso por porte de armas e drogas com base num mandado de prisão vencido meses antes. A Suprema Corte considerou que isso não eximiu o réu de culpa pelo crime cometido, colocando a Justiça acima de uma pequena irregularidade.

A sentença deixou claro que a decisão seria outra se houvesse violação da lei ou da Constituição de forma sistemática como instrumento cotidiano da ação policial.

A decisão da corte derrubou a regra de quase 100 anos, segundo a qual os juízes tinham de rejeitar evidências que haviam sido obtidas de forma imprópria.
Fontes: Vida Global e Estadão

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O primeiro terremoto a gente não esquece

Eu já disse aqui que na Califórnia terremotos acontecem todos os dias. Na maioria da vezes ninguém nem percebe, mas às vezes, o choque é um pouco mais violento e todo mundo se assusta.

Mas, até então, eu não havia presenciado nenhum. Não que não tenha acontecido nada durante esse anos que vivo aqui, mas sempre estava em algum lugar que me impedia de experimentar o acontecimento, como uma vez em que estava na academia, numa aula de alto impacto. Ninguém percebeu que o chão tremia, muito menos eu!

Mas, semana passada foi diferente. A minha cachorra deu um latido esquisito, meio medroso e aí veio o balanço! Foi bem rápido, uns 3 segundos, porque o epicentro foi há uns kilômetros daqui, mas deu prá assustar. A casa toda tremeu e o tempo pareceu parar. Eu e meu marido olhamos um para o outro e falamos juntos “terremoto?!”!

Eu sempre quis ter essa experiência, mas acho que a impotência que eu senti quando a casa toda tremeu, me fez pensar melhor. Acho que já está bom prá mim!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Encontro dos presidentes americanos

Presidente George W. Bush com o Presidente-eleito Barack Obama, e os ex-presidentes, da esquerda para a direita, George H.W. Bush (1989-1993), Bill Clinton (1993-2001) e Jimmy Carter (1977-1981). (Reuters)


Os quatro presidentes dos EUA ainda vivos, e o presidente eleito, Barack Obama, participaram de um almoço que faz parte do processo de transição de poder nos EUA, ontem, em Washington.
Foi a primeira vez desde 1981 que todos os ex-presidentes dos Estados Unidos se reuniram na Casa Branca, explicou a porta-voz de Bush, Dana Perino.


Antes do almoço, Bush e Obama tiveram uma conversa particular. O almoço e o encontro foi à portas fechadas. O momento da foto foi o único aparecimento dos comandantes em que foi permitida a presença da imprensa.

A porta-voz de Bush, Dana Perino, recordou, porém, que os dois políticos já mantiveram importantes contatos neste período de transição, considerado o mais difícil desde Abraham Lincoln (1861-1865)! Segundo ela, os dois conversaram por telefone em 10 de janeiro e, em 4 de novembro passado, Bush ligou para Obama para informar sobre as medidas que pensava tomar contra a crise financeira.


Obama disse ter recebido bons conselhos dos homens que, segundo o presidente-eleito, ”entendem tanto as pressões como possibilidades desse posto”.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Obama fala à nação no You Tube


Em seu programa semanal de rádio, transmitido no YouTube aos domingos, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou as linhas gerais do seu plano de recuperação econômica, que deve ser apresentado aos líderes do Congresso hoje.

Obama pretende gerar 3 milhões de empregos, 80% no setor privado. Quer que o plano seja aprovado logo para que entre em vigor logo depois da sua posse, em 20 de janeiro.

O sonho é reeditar o Plano de Cem Dias do presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39).


Fonte: Vida Global

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Imagens de 2008

O ano de 2008 foi um ano de mudanças estruturais na sociedade americana, eu diria. Da economia à política, passando pela cultura, pela saúde, ciência e pelo esporte, algumas barreiras foram superadas e muitas surpresas, boas ou não, chegaram às páginas dos jornais.

Como alguns leitores desse blog têm solicitado que meus textos sejam acompanhados de mais imagens, achei apropriado começar 2009 com uma bateria delas, relembrando o ano que passou.
Então aqui vão algumas imagens que contam um pouco da história do ano de 2008 nesse país.
Tentei trazer aquelas que refletem as narrativas e momentos mais importantes de cada mês, mas com certeza não são todas as histórias que tivemos. Além disso busquei imagens não tão convencionais de cada notícia e até mesmo algumas de ângulos bem excêntricos. E, apesar de concordar que uma imagem vale por mil palavras, há créditos explicando cada momento clicado. Divirtam-se!

REUTERS/Tim Sloan/Pool

President George W. Bush winks to a member of the audience before he delivers the final State of the Union address of his presidency at the US Capitol in Washington, On January.


Anthony Suau for TIME
Hillary Clinton departs a campaign event in Nashua, New Hampshire on January.


REUTERS/Nicholas Roberts
A photograph of Heath Ledger from the movie “Brokeback Mountain” rests among flowers at a makeshift memorial in front of the building where the actor died in New York January 23, 2008.

REUTERS/Gary Hershorn

Javier Bardem (R) celebrates as he receives the Oscar for best supporting actor role for “No Country for Old Men” during the 80th annual Academy Awards, the Oscars, in Hollywood, February 24, 2008.

REUTERS/Eric Thayer

Spectators watch from a pier as the space shuttle Endeavour launches from pad 39A at the Kennedy Space Center in Cape Canaveral, Florida, early March 11, 2008.

Christopher Morris / VII for TIME
John McCain gets patted down before boarding a plane in March, after a campaign stop in San Antonio, Texas.


Callie Shell / Aurora for TIME
Barack Obama works the phones during a campaign stop in Providence, Rhode Island, in March.
REUTERS/Osservatore Romano/Pool
Pope Benedict XVI waves from his plane as he arrives in Washington for his pastoral visit to the United States in this picture shot April 15, 2008 and released April 16, 2008.
REUTERS/Robert Galbraith
A foreclosed home is shown in Stockton, California May 13, 2008.

Callie Shell / Aurora for TIME

Barack Obama is joined by his wife Michelle and aide Valerie Jarrett, among others, as he makes his way to a victory speech St. Paul, Minnesota. The speech would be his first after clinching his party’s nomination in June.

Ray / Cedar Rapids Gazette / Rapport Press
Boathouses borne by rising floodwaters collide with a railroad bridge in Cedar Rapids, Iowa, in June.
Callie Shell / Aurora for TIME
Not to be outdone by two aides who each did a pair of pull-ups, Obama does three before stepping out to address a crowd at the University of Montana.
Heinz Kluetmeier / Sports Illustrated
In pursuit of his seventh gold medal, US Swimmer Michael Phelps (left) races Serbian Milorad Cavic in the 100M Butterfly. Phelps would push past his opponent in the final meter of the race, miraculously beating him by .01 second. In China, on August.
Danny Wilcox Frazier / Redux for TIME
A video of departing President George W. Bush plays at the Republican National Convention in St. Paul, Minnesota on September.
Smiley N. Pool / Houston Chronicle / Rapport Press

A house is engulfed in flames as floodwaters and crashing waves inundate beach homes on Galveston Island as Hurricane Ike approaches the Texas Gulf Coast on September.
Christopher Morris / VII for TIME
A young supporter of the GOP ticket arrives at a campaign event on Halloween Day dressed as vice-presidential nominee Sarah Palin on October.
Gary Hershorn / Reuters
Obama and his wife Michelle depart the stage in Grant Park after winning the Presidential election on November 4, 2008.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Papail Noel existe!

Coloquei abaixo um clássico editorial, não assinado, publicado primeiramente em 21 de setembro de 1897, no jornal New York Sun. No texto, um jornalista veterano respondeu a uma carta de uma criança que pergunta a respeito da existência de Papai Noel. Essa história é bem famosa por aqui e, muitas vezes as pessoas até hoje usam a expressão "Sim, Virgínia, Papai Noel existe", quando alguém duvida de alguma coisa que parece inacreditável.

" CARO EDITOR: Eu tenho 8 anos. Alguns dos meus amiguinhos me dizem que Papai Noel não existe. Meu papai diz, "Se você vê no SUN (o jornal) então é verdade. Diga-me por favor a verdade, Papai Noel existe?
Virgínia O' Hanlon

VIRGÍNIA, seus amiguinhos estão errados. Eles foram afetados pelo cepticismo de uma idade céptica. Não acreditam exceto no que eles vêem. Pensam que nada pode existir a não ser o que é compreensível por suas mentes pequenas. Todas as mentes, Virgínia, quer sejam dos homens ou de crianças, são pequenas. Neste nosso grande universo, o homem é um mero inseto, uma formiga, em seu intelecto, em comparação ao mundo ilimitado sobre ele, se medido pela inteligência capaz de agarrar o todo da verdade e do conhecimento.

Sim, VIRGÍNIA, Papai Noel existe. Existe tão certamente como o amor e a generosidade e a devoção existem, e você sabe que eles abundam e dão à sua vida as suas belezas e alegrias mais elevadas. Como seria aborrecido o mundo se não existisse nenhum Papai Noel! Seria tão aborrecido quanto se não existisse nenhuma VIRGINIA. Não haveria nenhuma fé infantil então, nenhuma poesia, nenhum romance para fazer tolerável esta existência. Nós não teríamos nenhum prazer, a não ser no sentido e na visão. A luz eterna com que a infância enche o mundo seria extinguida.

Não acreditar em Papai Noel! Você pode também não acreditar em fadas! Você pode conseguir que seu papai empregue homens para prestar atenção em todas as chaminés na Noite de Natal para pegar Papai Noel, mas mesmo se eles não vissem Papai Noel descer, o que isso provaria? Ninguém vê Papai Noel, mas isso não é um sinal de que não há nenhum Papai Noel. As coisas mais autênticas no mundo são aquelas que nem as crianças nem os homens podem ver. Você já viu fadas dançar no gramado? Naturalmente não, mas isso não é prova de que elas não estão lá. Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas que existem e que são despercebidas ou invisíveis no mundo.

Você pode destruir o chocalho de um bebê e ver o que faz o ruído lá dentro, mas há um véu que cobre o mundo invisível que mesmo o homem mais forte, ou melhor, nem mesmo a força unida de todos os homens mais fortes que viveram, nunca poderia revelar. Somente a fé, a fantasia, a poesia, o amor, o romance, podem puxar de lado essa cortina e mostrar a beleza e a glória divinas. Isso é real? Ah, VIRGÍNIA, em todo este mundo não há nada mais real e permanente. Nenhum Papai Noel! Graças a Deus, ele vive, e vive para sempre. Em mil anos, Virgínia, não, em dez vezes dez mil anos, ele continuará a fazer contente o coração infantil.

Papai Noel existe!

Below is the classic unsigned editorial first published Sept. 21, 1897, in the New York Sun, in which a veteran newsman answered a letter to the editor inquiring as to the existence of Santa Claus.
"DEAR EDITOR: I am 8 years old. Some of my little friends say there is no Santa Claus. Papa says, 'If you see it in THE SUN it's so.' Please tell me the truth; is there a Santa Claus?"
Virginia O'Hanlon
VIRGINIA, your little friends are wrong. They have been affected by the skepticism of a skeptical age. They do not believe except [what] they see. They think that nothing can be which is not comprehensible by their little minds. All minds, Virginia, whether they be men's or children's, are little. In this great universe of ours man is a mere insect, an ant, in his intellect, as compared with the boundless world about him, as measured by the intelligence capable of grasping the whole of truth and knowledge.
Yes, VIRGINIA, there is a Santa Claus. He exists as certainly as love and generosity and devotion exist, and you know that they abound and give to your life its highest beauty and joy. Alas! how dreary would be the world if there were no Santa Claus. It would be as dreary as if there were no VIRGINIAS. There would be no childlike faith then, no poetry, no romance to make tolerable this existence. We should have no enjoyment, except in sense and sight. The eternal light with which childhood fills the world would be extinguished.
Not believe in Santa Claus! You might as well not believe in fairies! You might get your papa to hire men to watch in all the chimneys on Christmas Eve to catch Santa Claus, but even if they did not see Santa Claus coming down, what would that prove? Nobody sees Santa Claus, but that is no sign that there is no Santa Claus. The most real things in the world are those that neither children nor men can see. Did you ever see fairies dancing on the lawn? Of course not, but that's no proof that they are not there. Nobody can conceive or imagine all the wonders there are unseen and unseeable in the world.
You may tear apart the baby's rattle and see what makes the noise inside, but there is a veil covering the unseen world which not the strongest man, nor even the united strength of all the strongest men that ever lived, could tear apart. Only faith, fancy, poetry, love, romance, can push aside that curtain and view and picture the supernal beauty and glory beyond. Is it all real? Ah, VIRGINIA, in all this world there is nothing else real and abiding.
No Santa Claus! Thank God! he lives, and he lives forever. A thousand years from now, Virginia, nay, ten times ten thousand years from now, he will continue to make glad the heart of childhood.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Jornalista ataca Bush - não com palavras!


Na sua última visita ao Iraque como presidente dos Estados Unidos, feita de surpresa neste domingo por razões de segurança, George Walker Bush também teve uma surpresa.

Bush chegou pela manhã. Pela primeira vez, foi recebido com honras de chefe de Estado, com direito aos hinos nacionais dos dois países, um sinal de que a segurança em Bagdá melhorou.

Ao lado do presidente Jalal Talabani, defendeu a necessidade de derrubar Saddam Hussein. Mas depois de assinar o pacto de segurança que prorroga a ocupação americana até o fim de 2011, Bush foi alvo de dois sapatos jogados pelo jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi aos gritos: “Este é um beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro”.

Tanto o cachorro quanto sapatos são tidos como sujos e impuros no mundo árabe. Na etiqueta árabe, há até uma recomendação de não cruzar as pernas para não mostrar a sola do sapato aos interlocutores. É deselegante.

Al-Zaidi, repórter da TV iraquiana Al-Baghdaddia, com emissora no Egito, foi preso e torturado na situação de caos e anarquia em que a invasão americana jogou o país, há um ano atrás.
A família, a televisão e uma grande manifestação de xiitas no Sul de Bagdá pediram ontem a libertação de Muntazer al-Zaidi. Na Cidade de Sáder, um grande bairro pobre xiita na periferia sul de Bagdá, cerca de 10 mil pessoas marcharam em protesto contra a prisão do repórter. Um sapato foi pendurado num poste com a expressão: “Fora, EUA”. Bandeiras americanas foram queimadas.

Ironicamente, o repórter vai acabar tendo que agradecer por todas as mudanças trazidas pela invasão americana. Caso tivesse agredido o presidente nos tempos de Sadam, a pena era a morte. Os iraquianos não admitem nenhum tipo de ofensa ao seu presidente ou a qualquer convidado deste. Parece que agora ele deve pegar 2 anos de prisão.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Imagem do ano

Enquanto auxilio meu cérebro a retornar de férias, deixo com vocês uma imagem que apareceu essa semana em todas as mídias e que, para mim, já está no patamar das melhores imagens do ano.


Com todo respeito ao conteúdo religioso do momento revelado, acho que algo dessa natureza não poderia nunca ser vista em outro país, além dos EUA.


A foto retrata três carros de companias americanas entre o coral e o altar de uma igreja, ou templo, em Detroit. A igreja rezava para que o Congresso passase uma proposta de empréstimo para essas companhias. Os carros mostrados foram doados pelas própria companhias: FORD, GM e CRYSLER.



Parece que a iniciativa não adiantou muito, uma vez que nada ainda foi aprovado, mas que tal a idéia? Agora eu só não entendo muito a razão prática dos carros no altar: seria essa uma forma de impressionar Deus - ou seja lá o nome que eles dão pra quem eles estavam rezando? Ou a jogada era mais marqueteira, terrestre mesmo? Alguém aí prá ajudar a entender “esses americanos”?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Votando sem sair do carro

Minhas observações do sistema eleitoral americano me fazem concluir que este é um setor em que os americanos podiam aprender um pouquinho com os brasileiros. Sem discutir o sistema como um todo, porque eu ia precisar explicar primeiro o americano e depois compará-lo ao brasileiro e esse post ia ficar enorme e chato (aliás esse tipo de informação é facilmente encontrada na internet em fonte seguras), vou me ater a algumas decisões práticas que podiam ser tomadas aqui, prá facilitar a presença dos eleitores nas votações - lembrem, nos EUA não é obrigação do cidadão o ato de votar.


Eu começaria com o dia escolhido. No Brasil, sempre cai num fim de semana. Aqui não. Exatamente o contrário, é sempre num dia de semana. Não é preciso explicar a dificuldade que isso acarreta para muitos, não é?

Outra coisa é a insistência na utilização do papel. Além de extremamente anti-ecológico, num país que vem lutando prá ser verde, ajuda na demora da votação, criando mais filas, dúvidas e etc. Alguns estados testaram votações eletrônicas mas eles ainda não estão satisfeitos com a segurança das máquinas. No país da criação do computador pessoal, eu imaginava que eles já podiam estar avançados nessa tecnologia, não?

Mas, com essas e outras contradições de um primeiro mundo, eis que esse ano há algo novo no ar. Votar, eletronicamente, sem sair do carro, em drive-throughs, daqueles tipo os de lojas onde se compra café ou sanduíche. Não é fantástico? E como aqui é permitido votar com antecedência - outro ponto positivo do sistema - muita gente já está fez da iguaria.

A experiência do voto sem sair do carro ainda foi por apenas um dia, no Condado de Orange, aqui na Califórnia. Mas parece que foi satisfatório! Já existe em um outro condado da Califórnia um local onde você pode levar o seu voto, caso você tenha recebido o papel pelo correio.Mas agora há a possibilidade de você sair de casa, ir ao local de votação, entrar na pista onde está a cabine e votar! Para os aficcionados por carro como os californianos, nada mais cômodo!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Resultado das eleições 2008 no Brasil

Essa é prá quem está fora do país ou até mesmo para aqueles curiosos que querem saber quem ganhou as eleições numa cidade que não aparece muito em jornais nacionais ou em sites de notícias.

No site do TSE há um link para a divulgação desses resultados. Siga as instruções de instalação do programa que eles têm e você pode encontrar todos os resultados dessas eleições de 2008 em qualquer cidade brasileira que queira!

Leite ainda é um ótimo investimento

Em tempos de loucura econômica, é sempre bom ter idéias criativas no supermercado, não? Já disse aqui que desde que me mudei para os EUA de vez, um dos campos no qual vivo me informando é o campo financeiro. Não falo somente no funcionamento de Wall Street -principalmente nos últimos dias - , mas em sobre o quê as pessoas que moram legalmente nesse país devem saber para participar tanto das vantagens de se viver num país de primeiro mundo, como das responsabilidades que vêm com toda essa viagem.


Pois bem, uma das pessoas que me ajudaram muito foi uma consultora financeira chamada Suze Orman. Eu nunca encontrei essa senhora, mas caso isso aconteça um dia, eu tenho muito a agradecer. Difícil sintetizar o trabalho dela mas entre livros, programas de televisão, palestras e site, Suze Orman coloca em palavras fáceis, instruções onde escolas têm se ausentado. Tanto aqui, como no Brasil, eu acho. Afinal, as crianças aprendem fórmulas químicas impossíveis de serem detectadas no mundo real - amo química, nada contra - mas saem do colégio sem ter a menor noção de como ler um extrato bancário! É mais ou menos por aí que Suze aparece. Ela tem uma missão, ensinar todo cidadão a cuidar do seu dinheiro!

E, no fim de semana, ela aparece nesse anúncio, de uma campanha muito conhecida por aqui, que estimula o consumo de leite no país. Nenhuma surpres, afinal como muitas outras celebridades, Suze é pessoa de influência no país. Mas, a diferença foi no recado. Na foto, como não podia deixar de ser, ela chama atenção para uma outra razão de se consumir leite. Eis o cartaz da campanha com o texto a seguir:

“Milk your budget. Investing in your health always pays off. That’s why I drink lowfat milk. Even at today’s prices, an 8-ounce glass of milk only costs about a quarter, which is a great value when you consider that milk is one of the most nutrient-rich items in your grocery cart. So drink up. You can’t afford not to.”

Na minha livre tradução, ela diz mais ou menos isso: “Explore o seu orçamento. Investir na sua saúde sempre vale a pena. É por isso que eu bebo leite desnatado. Até mesmo com os preços de hoje, um copo de leite custa cerca de 25 centavos, o que é um ótimo valor considerando-se que leite é um dos mais ricos nutrientes no seu carrinho de compras. Então, beba à vontade! Você não pode se arriscar a não beber.”

Boa dica? Você também tem uma? Mande prá mim!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EUA em crise - e eu com isso?

Desculpem a ausência dos últimos dois dias, mas tenho passado o dia inteiro antenada ao que acontece em Wall Street. E, como muitos por aqui, perplexa fiquei ao final do dia de segunda-feira, quando o Congresso americano vetou o pacote de ajuda financeira proposto pelo governo.

A consequência para os EUA foi visível e mais está para vir. Alguma solução vai ter que ser apresentada, porque o país não vai segurar uma crise dessas por muito tempo. Então, depois que os políticos - que, na sua maioria, são iguaizinhos em qualquer lugar do mundo, isto é, egoístas, egocêntricos e atraídos por câmeras de televisão - que votaram contra a proposta, perceberam a porcaria que fizeram, já enfiaram os rabinhos entre as pernas e estão prontos a votar a mesma proposta - com alguma modificaçãozinha - no fim do dia de hoje.

Mas, o estrago está aí. E muita gente do que aqui eles chamam de “Main Street”, ou seja, o povão, fica se perguntado: “se tudo continua na mesma, então por que é que eu tenho que me preocupar com o que acontece com Wall Street?”.

Já disse aqui que não sou especialista em economia mas, como toda boa jornalista, sou especialista em generalidades, então vou tentar explicar porque você, quer esteja nos EUA ou no Brasil deve SIM se preocupar, se informar e agir caso precise, nesse momento. E porque esse pacote é tão importante para o país e para o mundo.

O que está acontecendo aqui, de forma geral, é um aperto no crédito. Que, como uma bola de neve, vai acabar afetando todo mundo. Vou usar o exemplo que foi dado na segunda-feira, no jornal televisivo daqui, cujo video está nesse link, prá quem quiser assistir.

O que ocorre numa economia funcionando da forma que deve é mais ou menos isso:
Digamos que um certo banco tem 100 dólares guardados. Numa economia sadia, os bancos emprestam esses 100 dólares, digamos, para um agricultor que, agora com esse dinheiro, vai poder comprar sementes das pessoas que as vendem, e um trator das pessoas que vendem tratores, agrotóxicos das lojas que vendem agrotóxicos, e por aí vai.

Essas pessoas que venderam para o agricultor geralmente vão pegar esses 100 dólares e comprar outras coisas e também vão colocar um pouco do dinheiro no banco que, com mais dinheiro, vai poder emprestar para um dono de restaurante, por exemplo. O dono do restaurante vai usar esse dinheiro prá comprar carne do açougueiro, e pão do padeiro, e mesas do carpinteiro…

Da mesma forma, essas pessoas vão usar parte do dinheiro que receberam do dono do restaurante prá comprar coisas e um pouco prá colocar numa poupança num banco, que de novo vai ter dinheiro prá emprestar prá outras pessoas.

Ou seja, em bons tempos, de economia saudável, aqueles 100 dólares vão pulando de mão em mão e toda vez que esse dinheiro pula, mais pessoas têm mais trabalho.

Mas, aí, com a crise dos empréstimos - que aconteceu porque as pessoas começaram a não pagar os empréstimos que fizeram por infinitas razões- , os banqueiros começaram a ficar nervosos porque o risco de emprestar dinheiro estava só aumentando. Eles começaram a se questionar se iam ser pagos pelos empréstimos que deram!

Então, eles começaram a diminuir os empréstimos, diminuindo a velocidade com que aqueles 100 dólares estavam pulando de mão em mão. A consequência é imediata no número de pessoas desempregadas, que aumenta, e até mesmo no tempo que essas pessoas ficam desempregadas, que também aumenta. E com mais pessoas desempregadas, menos dinheiro circula, porque menos pessoas podem comprar do agricultor, menos pessoas podem ir ao restaurante, e etc.

E aí, o pula-pula dos 100 dólares diminui ainda mais até que os bancos podem simplesmente parar de emprestar dinheiro por completo, o que seria um desastre global! É só você imaginar esse dólar numa escala mundial, de importações e exportações - afinal os EUA são sozinhos os maiores consumidores do mundo - que você vai entender como isso pode afetar você aí no Brasil!

Então, o que o pacote proposto pelo governo estava tentando fazer era comprar aqueles empréstimos ruins que os bancos tinham, prá colocar dinheiro nas mãos dos bancos de forma que eles voltassem a emprestar dinheiro de novo, como faziam.

Toda a discussão era de quanto pagar por esses empréstimos de forma que os bancos tenham o suficiente para voltar a funcionar normalmente mas ao mesmo tempo não muito, de forma que os contribuintes não acabem por ser responsáveis por pagar por aqueles que provocaram essa confusão toda.

Essa é uma explicação bem simplista mas nem por isso imprecisa. Acho que deu prá esclarecer um pouco a importância de estar informado a respeito do que acontece por aqui, não?